segunda-feira, 10 de maio de 2021

Luis Satana Lima (Luis Calderão)


Por Dionísio Nóbrega

  As terras avermelhadas de Cumbe, que faziam parte do Sitio Gameleira, nunca foram bem valorizadas, talvez pela inexistência de olhos d’água ou por estarem distantes dos rios Vaza-Barris e Itapicuru.

No seu entorno havia algumas casas, uma até distante da outra. Mas com a influência da família Reis de Manoel Felix e dos filhos Major Antonino e Helena Maria de São Felix, a coisa mudou. Ao enviuvar, Manoel Felix dos Reis passou a visitar com mais frequência os amigos de Monte Santo, principalmente os “Carvalho Carregosa” do Jenipapo e os “Lopes” e “Moura” da região do Acaru. Resultado: terminou achando uma Lopes Guimarães que o tirou da viuvez. E a filha Helena disse sim, com o consentimento da família, ao pedido de casamento de Manoel Ferreira de Carvalho, nascido na Fazenda Jenipapo (Monte Santo) do pai Antônio Ferreira de Carvalho Carregosa. E foram morar no Curirici dos “Alves de Souza” e dos “Reis” de Manoel Felix para logo depois começar a pensar na possibilidade de construção de uma casa próxima da serra do Cumbe. Clara Francelina de Carvalho, também filha do proprietário da fazenda Jenipapo, com o apoio do marido Balthazar Francisco Lima, também desejou edificar uma casa perto da do irmão.

Ubaldino, sobrinho-neto do Coronel Dedé de Abreu, me contou inúmeras vezes que ouvia muito do pai Jerônimo a história da primeira casa do Cumbe, construída onde hoje é a Rua da Igreja por Manoel Ferreira de Carvalho (cunhado do Major Antonino). Ioiô da Professora concordava em parte com Ubaldino Abreu, mas acrescentava um detalhe interessante ao afirmar que a primeira casa da Rua da Igreja e a primeira da Rua de Cima (por muitos anos conhecida por Rua do Balthazar ou Rua dos Lima) foram construídas concomitantemente.

Nesta casa do primeiro Lima irão nascer da barriga de D. Clara Francelina de Carvalho apenas 3 filhos: Joaquim, Francisco e Ana, que, ao se casar com José Joaquim Caldeirão, presenteará ao mundo uma penca de 8 filhos: o primogênito: Luis Santana Lima (Luis Caldeirão), casado com Dejanira Dantas (Dona Neném); o segundo: Maria de Santana Lima (Maricota), casada com Apolinário Manoel dos Santos; o terceiro; Antônia, primeira esposa de Apromiano Alves Campos; o quarto: Joaquim Santana Lima (Joaquim Menino), casado duas vezes, com Maria Garcia de Araujo (Dona Gracinda) e com Emilia Dantas (Dona Nazinha); o quinto: Adelaide, com Isaias Manoel dos Santos; o sexto: Alexandrina, primeira esposa de Belarmino Augusto Campos (Belo Campo); o sétimo: Clara (Dona Clarinha), com Antônio da Silva Dantas (Totonho Dantas); o oitavo: João de Santana Lima (Joãozinho, o caçula, solteiro, falecido com 26 anos em 06/07/1933).

Dos filhos naturais com Maria Dantas da Silva (Dona Maria de Joaninha, do Banzaê), Luis Caldeirão só reconheceu Edson de Lima Dantas (nascido em 13 de novembro de 1915). Anos depois, em 1925 casou-se com Dona Neném, que lhe presenteou meia dúzia de filhos: Anice, Raimundinho Lima, Naide Lima Campos, Zelito, Antônio Luis e Lulu (Lulu Modas)

Foto do Capitão Dantas segurando a mão de duas filhas: Maroca (primogênita) e  Elvira. Dona Balbina, ao lado do filho Totonho Dantas. 

Atrás, a babá segura Dejanira (Dona Neném), futura esposa do Delegado Luiz Caldeirão que hospedou Lampião na casa mais histórica de Cumbe, infelizmente hoje em estado de destruição. 


Luis Calderão nasceu em 26 de junho de 1888. Faleceu em 26 de outubro de 1968






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Acervo fotos: família Zé Dantas

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Câmara Municipal


O Conselho Municipal foi restaurado pela Constituição de 1946, como Câmara Municipal, sendo eleitos vereadores José Camerino de Abreu, Joaquim Matias de Almeida, Pedro Agres de Carvalho, José da Costa Reis, José da Silva Dantas, José Bizerra Neto e Euclides Alves de Oliveira.

A segunda legislatura foi composta, em 1951, pelos edis Antonio Batista de Carvalho, Joaquim de Santana Lima, Raimundo Dantas Lima, Izaias Ferreira Canário, Fulgencio de Carvalho Abreu, José Bizerra Neto e Teago Ferreira de Carvalho. 

A primeira Camara não funcionou por motivos inexplicáveis.


A partir de 1955, foi a Câmara integrada por onze vereadores: Joaquim da Silva Dantas, João Paranhos de Carvalho Abreu, Antônio Nogueira Coutinho, Cecílio Demétrio dos Santos, José Dantas Lima, Raimundo Dantas Lima, Enock Canário de Araújo, Teófilo Dantas da Silva, José Bizerra Neto, Antônio Miranda e João Augusto Costa;

Da 4a. legislatura (1959 a 1963) participaram os vereadores

Antônio Batista de Carvalho, José Camerino de Abreu, Teófilo Dantas da Silva, Izaías Ferreira Canário, Cecílio Demétrio dos Santos, Raimundo Dantas Lima, José Dantas Lima, Antônio Nogueira Coutinho e Enock Canário de Araújo;

No quatriênio 1963/1967, a Câmara ficou constituída de José Camerino de Abreu, Teófilo Paiva Guimarães, Aloísio Batista de Carvalho, Cecílio Demétrio dos Santos, Antenor Dantas de Andrade, Anfilófio Dantas de Santana, Jaime Amorim da Silva, Raimundo Dantas Lima, Cosme Matias de Araújo, Joel Canário de Araújo e Enock Canário de Araújo;



A 6a. Legislatura (de 1967/1971) teve os edis Raimundo Dantas Lima, José Dantas Lima, Jaime Amorim da Silva, Jaime Ferreira de Abreu, Enock Canário de Araújo, Custódio Sabino da Costa, Antenor Dantas de Andrade, Cosme Matias de Araújo, José Dantas de Abreu, José Camerino de Abreu Pedro Agres de Carvalho;

A legislatura iniciada em 1971, para participar do processo até 1973, foi composta por treze vereadores: Antônio Batista de Carvalho, Teófilo Dantas da Silva, Walther Ferreira de Macedo, Juviniano Gomes dos Santos, Antônio Geraldo Campos, Joaquim José de Santana, Antônio Vieira Neto, Jaime Amorim da Silva, José Renato de Abreu Campos, Otaviano Silva Oliveira, Custódio Sabino da Costa, Enock Canário de Araújo e José Dantas de Abreu;

A 8a. Câmara (1973/1977) foi constituída dos vereadores Antônio Batista de Carvalho, Walther Ferreira de Macedo, Juviniano Gomes dos Santos, José Dantas de Brito, Tomé Pereira Alves, José Antônio da Silva, Antônio Vieira Neto, Jaime Amorim da Silva, Ranulfo de Abreu Campos, Isaías Valério de Almeida, Evaristo Manoel da Costa, João Carlos Félix de Souza e João Ribeiro Gama;

Para legislarem a partir de 1977, foram escolhidos os licurgos Antônio Batista de Carvalho, Teófilo Dantas da Silva, Antenor Dantas de Andrade, Nelson Campos de Abreu, Antônio Vieira Neto, José Dantas de Brito, Lindolfo Dantas Guedes, Custódio Sabino da Costa, Jaime Amorim da Silva, Herculano Dantas de Araújo, Sebastião Miranda da Paz, Tomé Pereira Alves e Joana de Carvalho Abreu.



Fonte: No Sertão do Conselheiro

foto2: IBGE

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quinta-feira, 22 de abril de 2021

Caminhos e Variantes


As trilhas e caminhos na região começaram a surgir no final do século XVI e se multiplicaram durante o século XVII. Veredas de gado que demandavam a bacia do Itapicuru peloc caminho do Raso (Araci) alcançavam o Piquaraçá e a Mata das Preguiças.

Outro caminho foi aberto entre o curato de Massacará e Monte Santo (pelo Caimbé), no início do século XVIII, passando pelas fazendas Contendas, Jibóia e Garrote.


De todas as vias de acesso, a mais importante, possivelmente datando da primeira metade do século XVIII, era a que ligava Monte Santo a Tucano. Era  estrada carroçável que passava pelas fazendas Algodões e Triunfo (Quijingue), margeando grandes roças com plantações de mandioca, cereais, legumes e variedade de árvores frutíferas.

A partir da segunda metade do século XVIII, foi iniciada a abertura de variantes para encurtar distâncias e intensificar a circulação de pessoas e de produtos agropecuários entre o interior e o recôncavo.


Bernardo Carvalho da Cunha, capitão-mor de Itapicuru, em 1785, foi autorizado pelo governador a abrir uma variante que facilitasse o transporte do meteorito do Bendengó. (A "pedra do céu" se encontra no Museu Nacional, do Rio de Janeiro) Apesar de não ter logrado o seu objetivo, porque as juntas de bois não suportaram arrastar o seu peso, a estrada foi muito benfazeja para o sertão, pois facilitou a ligação do litoral com o interior.

{  Colocaram o bendegó em um carro de  boi, e depois de 126 dias de viagem, ele chegou a uma estação ferroviária em Itiúba, de onde foi para Salvador. Curiosidade: o transporte ferroviário foi gratuito, a Companhia Inglesa da Estrada de Ferro doou o transporte, bem como o vapor Arlindo, que seguiu para Recife e depois Rio de Janeiro.   } Texto entre chaves: tecnoblog .net/meiobit/

Através dessa via, muitas pessoas se fixaram em nossa terra, misturando-se com seus primitivos habitantes - índios, vaqueiros e escravos - estes, na sua quase totalidade, prepostos dos barões, especialmente da Casa da Torre.

Essa estrada ficou conhecida como "Variante do Itapicuru", pois margeava esse rio até Ribeira do Pau Grande; dali passava pelas fazendas Canabrava, Várzea do Burro, Pedra do Mocó (contomando o areal) e Caraiba. Atravessava a Mata das Preguiças e transpunha as fazendas Pai Domingos (desviando-se das ladeiras) e Lagoa do Barro, até o local onde se encontrava o aerólito.



Por atravessar o sertão, tornou-se bastante movimentada, reduzindo as distâncias do nordeste baiano, ainda pouco habitado. Incentivou as pessoas do litoral a penetrarem nestes rincões,

arrendando terras e fixando posses, povoando-as em sítios e fazendas.

Boiadas e tropas de muares carregados de algodão, tecidos, mercadorias, carnes secas e cereais, além de outros produtos intensificaram o comércio e aproximaram centros produtores ou intermediários aos núcleos de consumidores do sertão.

Por esse tempo, iniciou-se o plantio de mandioca, bananeira, cana-de-açúcar, fumo, café e cacau nas bordas da Mata das Preguiças, correndo a notícia da fartura da região, pela fertilidade da terra.

Na primeira metade do século XIX, outra variante foi construída, partindo de Alagoinhas para Monte Santo, ficando conhecida como “Estrada das Boiadas, "surgindo em seu trajeto novos arraiais: Pacatu (Santa Bárbara), Manga (Biritinga), Pedras Altas, Raso (Araci) e Triunfo (Quijingue)



 Fonte: No Sertão do Conselheiro - José Aras 



Imagens da internet





quarta-feira, 24 de março de 2021

Joaquim Silva Dantas (Ioio Dantas)

 

Joaquim Silva Dantas (Ioio Dantas) nasceu em Cumbe, 02 de maio de 1920, filho de Francisco da Silva Dantas (Capitão Dantas) e Balbina de Araujo Dantas. 



A primeira aula de Ioiô Dantas aconteceu na escola do professor João Lima, irmão caçula e sócio de Luís Caldeirão, situada no Beco do Cemitério, numa casa vizinha à de Jerônimo Abreu. Com a transferência do pai para Cícero Dantas, teve Ioiô Dantas como professor, no período 1930-1931, o promotor público daquela cidade — Dr. Renato. Mas o seu grande mestre mesmo foi, ao voltar para Cumbe, o Prof. Teófilo Paiva Guimarães, o braço direito, como secretário, de vários prefeitos, inclusive de Ioiô, com o qual foi o último a trabalhar.

 Dona Genuína Vieira de Castro, de Salvador, passou a ministrar aulas em 1933, época em que ainda Cumbe sofria as conseqüências da seca, ano em que José Camerino de Abreu entrou na política como subprefeito e ainda no mesmo ano como prefeito. A quarta e última professora do filho do Cap. Dantas instituiu, pela primeira vez em Cumbe, a escola mista, ou seja, o menino já podia estudar ao lado da menina. Com esta professora Ioiô concluiu o primário e com as colegas aprendeu a namorar. Mas no ano anterior, contando Ioiô apenas 12 anos de idade, foi convidado pelo irmão Zé Dantas para tomar conta da loja de secos e molhados situada onde hoje é a “praça do jardim”. O pai de Dr. Osvaldo precisava ausentar-se da Vila de Cumbe porque fora designado como apontador da IFOCS no trecho Cajueiro a Tucano. Abria-se nesta época a estrada que seria chamada de BR-116.

Em 1933, após concluir o primário, sem condições de continuar com os estudos, porque para isso teria de se transferir para Salvador, Ioiô de D. Balbina aceitou a responsabilidade de gerir a loja A Venturosa, que já não pertencia ao seu cunhado Luís Caldeirão, mas a Totonho Dantas, seu irmão mais velho. Como Zé Dantas admirava e já conhecia a dedicação e a seriedade do irmão Ioiô, chamou-o mais uma vez para trabalhar com ele, tirando-o do ramo de tecidos. Joãozinho de D. Geni, 8º filho do Capitão Dantas, ainda reclamou do irmão adolescente por ter pulado para o lado de Zé Dantas, considerando que ele (Ioiô) não demoraria, por doação de Totonho, a ser o dono da empresa. Com menos de dois anos, tudo ficou em família: Totonho Dantas propôs a Zeca Dantas formar uma sociedade, juntando os tecidos de um com os secos e molhados do outro. Mas não tardou o pai de Tonheco a comprar a parte do irmão, mantendo Ioiô como gerente-mirim.

Ressalte-se um detalhe interessante. Quando Ioiô Dantas, ainda adolescente, foi chamado a gerenciar os negócios dos irmãos, ele já não era calouro na arte e técnica de vendas. Em 1930, com apenas 10 anos de idade, aprendera com a lojista D. Naninha, mãe de Nair, em Cícero Dantas, para onde o pai Capitão Dantas se transferira como Coletor, a cortar tecidos nos dias de feira, recebendo, por cada dia trabalhado, a remuneração de 1$000 réis ou “deztões”, como se dizia.

Se a expressão “tal pai tal filho” é verdadeira, Ioiô Dantas é um dos mais parecidos com o pai, não só fisicamente como também na trajetória de vida. Ambos sobressaíram atrás do balcão, exerceram a função de coletor estadual e, por último, se destacaram na qualidade de administrador do município: o pai, como intendente em 1907, e o filho, 60 anos depois como prefeito. Mais outra coincidência: nasceu Ioiô num dia 2 de maio, a mesma data do casamento dos pais no Caldeirão Grande em Monte Santo, lugar em que Euclides da Cunha, um ano depois, descansaria para logo retomar a viagem em direção a Canudos.

Entretanto, conseguir namorar a filha de Luís Elpidio não foi fácil. Valmira, que se reservara o tempo todo, demorou a abrir-lhe o coração. Mas ao lhe dar o “sim”, depois de cinco anos tentando conquistá-la, a vida de Ioiô mudou completamente, acabou-se o Dom Juan. Para o ano o casal comemorará 60 anos de vida conjugal.

Uma descoberta interessante sobreveio com a união desse euclidense com a uauaense. Tomaram conhecimento de que a avó de Ioiô, dona Francisca, mãe de D. Balbina, era irmã do bisavô de Valmira, Balbino Manoel dos Santos, pai de Ana Maria que, ainda menor, foi roubada por João Elpídio na Pastos dos Bois e depois levada para Salvador onde se casaram sem o consentimento da mãe Alexandrina Umbelina dos Reis — viúva de pouco tempo. Esta senhora, que nascera na fazenda Macaco, onde hoje é Caldas do Jorro, era filha do coronel João Manoel dos Reis, também conhecido por João Manoel do Macaco que, por sua vez, era genro do Pe. Antonio José Pinheiro. Este vigário de Monte Santo é, portanto, pentavô de Dori, filho único de Ioiô Dantas e da professora Valmira.

Um dos sonhos de Ioiô Dantas, mesmo antes de se tornar chefe do executivo municipal, era ver a segunda praça de sua cidade natal, que fora tão bem cuidada pelo pai Capitão Dantas quando intendente em 1908, converter-se numa das mais belas do sertão. Quando prefeito, deram-lhe a informação de que uma firma de São Paulo doaria uma fonte luminosa com a condição de lhe servir de propaganda. A cargo da prefeitura ficariam as despesas com mão-de-obra, a compra e instalação dos azulejos e outros materiais. Mesmo sem energia elétrica, apenas com luz do motor da “rua da usina”, a fonte luminosa se fez realidade. O povo e os visitantes deleitavam-se com as águas dançando de acordo com a música. De praça do “Pau de Oliveira Brito” passou a ser chamada pelo povo de Praça do Jardim ou simplesmente Praça ou Jardim.



Para que a outra praça, consagrada como “rua” da Igreja, não ganhasse o infame epíteto de “abandonada”, principalmente após a destruição desnecessária da histórica igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída com a ajuda do povo pelo sergipano Conselheiro Francisco, o mesmo que edificara a capela de São João, de Quijingue, em cujo velho cemitério está enterrado, Ioiô tomou a enérgica decisão de arborizá-la plantando mudas de belos espécimes de palmeiras trazidos pelo poeta José Aras, além de dar-lhe um dos melhores calçamentos.

O prefeito do período 1967-1971 fiscalizava pessoalmente todas as obras, exigindo qualidade na prestação dos serviços. Não havia nessa época recursos para a criação de secretarias que se encarregassem das funções específicas da administração municipal. Teófilo Dantas, mesmo tendo sido de outro grupo político, chegou a se impressionar com o zelo de Ioiô pela coisa pública ao flagrá-lo conferindo com o próprio empreiteiro os metros quadrados dos paralelepípedos utilizados para o calçamento da praça da matriz. Mas como o povo iria trafegar de uma praça para a outra se o beco que as separa era estreitíssimo e o número de veículos aumentava a cada dia? A solução encontrada por Ioiô foi sacrificar parte da própria casa onde nascera. Este fato lembra o governador Seabra quando, ao enlarguecer o trecho que liga São Pedro à Praça da Piedade, teve de demolir o lado esquerdo do prédio do Senado Estadual. Por coincidência, o mesmo lado da casa de Seo Dantas. Ioiô, sempre zeloso de seu nome, nomeou uma comissão mista, composta de vereadores e pessoas da sociedade, que avaliasse em termos financeiros a parte lateral da residência a destruir.

Achando, por questão de ética, de se abster do pagamento da indenização do imóvel sacrificado, já que era um dos herdeiros, passou momentaneamente o cargo de prefeito ao então presidente da Câmara, Raimundo Dantas Lima. O mesmo vai acontecer quando da abertura da rua monsenhor Pedro Monteiro nos terrenos de D. Clarinha e Totonho Dantas. Nesta nova via pública, no entardecer de sua profícua administração, já com os recursos próprios da prefeitura quase exauridos, decidiu mesmo assim dotar a cidade de um mercado municipal com boxes azulejados a fim de evitar o comércio ambulante da carne, da farinha, do feijão e de outros produtos ao longo da avenida Rui Barbosa.

Incapaz de deixar dívidas para qualquer que fosse o seu sucessor, porque cultivava o hábito de só comprar à vista, Ioiô Dantas consultou Vavá da Madeira (Osvaldo Miranda da Paz) se poderia fornecer à prefeitura produtos a preço de custo. Num gesto de solidariedade, de sacrifício e de amor à sua terra, o comerciante atendeu às súplicas do prefeito inovador para que ele concluísse o novo Mercado.

Com o objetivo de ajudar os necessitados de casa própria, Ioiô comprou terrenos logo acima da Caixa d’Água ao professor Teófilo “Careca”, de saudosa memória, loteou-os com a denominação de “Loteamento Teófilo Paiva Guimarães” e doou-os a quantos quisessem edificar a sua morada, com a condição de não revender ou especular. A partir dessas ações inovadoras, surgiu o bairro da Caixa d’Água. Recentemente, o ex-vereador Viló, num gesto de gratidão, representando os habitantes deste novo e grande bairro, envidou esforços no sentido de homenagear a passagem dos 90 anos de vida do grande prefeito da década de 60.

Aproveitando os terrenos loteados por Nelson Bastos, herdados de sua mãe Maroca, conhecidos no passado por “bananeira”, Ioiô deu início à abertura da via pública que mais tarde tomará o nome de “rua Dr. Umberto Freire”.

Em 30 de julho de 1938, Dr. Mário de Castro Rocha, prefeito de Cumbe (ainda não era Euclides da Cunha) nomeado pelo interventor federal na Bahia, Landulfo Alves, designou Joaquim Silva Dantas para o cargo de auxiliar de tesouraria da prefeitura. Dois anos depois, Ioiô dirigiu um estabelecimento de um dos fornecedores do DNOCS (Seo Arlindo) no lugar denominado Tromba, junto da serra onde Thomás Vilanova, grande colaborador das forças expedicionárias de Arthur Oscar contra Canudos, teve de se esconder com a numerosa família por causa da perseguição implacável dos jagunços conselheiristas.

Ainda em 1941, sabendo que Ioiô era bom de balcão, Zé Dantas o chamou para sócio da sua loja sem impedir que o então prefeito José Camerino de Abreu o nomeasse em 10 de outubro de 1942 contador da prefeitura. Estava o mundo em guerra, Paris sendo libertada, quando Ioiô desligou-se da sociedade com o irmão e do cargo de contador da prefeitura para estudar em Salvador com o fim de se preparar para o concurso de exator de coletoria ocorrido em 1946, cujo resultado o colocou na 2ª dezena de aprovados. No governo de Octávio Mangabeira, em 23 de junho de 1947, foi nomeado para a Coletoria de Uauá, assumindo em 11 de julho do mesmo ano, por influência do colega Antonio Santiago, namorado de Iaiá, irmã do Cel. Jerônimo Ribeiro.

Em Uauá voltou a procurar a senhorita Valmira com quem se casará em 3 de fevereiro de 1951. Mas antes de realizar o sonho de voltar à sua terra como coletor estadual, o então secretário da Fazenda, Dantas Junior o convidou para instalar a Coletoria de Cansanção.  Pisar na sua terra exercendo a função de coletor só em 2 de janeiro de 1950, mas nesse mesmo ano elegeu-se vereador do município de Uauá. Passam-se quatro anos. Em 1954, ano em que apóia o candidato a prefeito, pela UDN, senhor Teago Ferreira de Carvalho, Ioiô elege-se vereador e presidente da Câmara Municipal de Euclides da Cunha.

 Em 1966, em pleno regime autoritário, Ioiô Dantas torna-se candidato único e, com o apoio do líder José Camerino de Abreu, foi eleito prefeito de sua terra. Em Brasília, o Congresso elege Costa e Silva e para governador da Bahia, indicado pelo presidente Castelo Branco, a Assembléia Legislativa aprova o nome do acadêmico, biógrafo, político e escritor Luís Viana Filho. O prefeito de Euclides da Cunha administrou o município num período dos mais autoritários da história brasileira. Julgaram a Constituição de 1967 inadequada à continuidade do processo “revolucionário”. Por isso outorgaram uma Emenda que mais parecia outra Constituição, a cujo texto incorporaram partes do AI-5, eliminando assim as partes liberais da anterior. Luís Viana teve o seu mandato ameaçado. O secretário de Educação Luís Navarro de Brito teve de se exonerar e o de Minas e Energia, Oliveira Brito, foi cassado.

Apesar da pouca ajuda do governo estadual, ficando restrita aos recursos com que se construíram o prédio da Escola Estadual Joaquim Silva Dantas e o da Serra Vermelha, Ioiô concretizou o sonho de ter sido o prefeito de sua terra realizando o máximo de obras úteis ao povo com os parcos recursos de que dispunha o município. Realizou uma administração que chamou a atenção de um coronel do Exército que fiscalizava a região procurando a “cabroeira” de Oliveira Brito. O destacado militar emocionou-se com a qualidade da obra de Ioiô Dantas, a ponto de afirmar que havia um grave erro na sua administração, o de não dar publicidade. Publicidade para servir de exemplo a outros municípios. Mas o coronel deve ter ficado sabedor que o grande prefeito Ioiô não gastava em propaganda nem fazia festa de inauguração de suas obras para economizar recursos com os quais, por sugestão da esposa Valmira, construiria novos prédios escolares.

Além da estrada do Aribicé, cuja inexistência envergonhava os euclidenses, pois estes, para alcançar o povoado, precisavam ir por Pombal via Tucano, Ioiô Dantas, só com recursos do município, realizou muitas obras, tais como: construção de um matadouro todo azulejado, com dois currais grandes, limpos e asseados; reconstrução do prédio escolar “Duque de Caxias”, encontrado em péssimas condições e sem funcionamento, e de outros situados no Olho d’Água do Meio, Rosário e Ruilândia; construção de prédio escolar em Massacará, com biblioteca, Aribicé, Caimbé, Carnaiba, Bendegó.

Ioiô ainda restituiu as estradas de Aribicé até o limite com Ribeira do Pombal, de Rosário a Cocorobó, de Euclides da Cunha (sede) a Maria Preta passando por Ruilândia e até o limite de Algodões que na sua época pertencia a Tucano. Fez pequenas aguadas no Alecrim, Carnaíba, Bendegó, Tromba, Santo Antonio, Poções, Serra Vermelha, Araçás, Rio Soturno, Caimbé, Ruilândia e Maria Preta.  Fez o calçamento do Agarra Mão. Construiu o chafariz e a praça Cecílio Demétrio. E no último dia de sua administração, até 12 horas da noite calçou o trecho da Maçonaria a Totonho Dantas.

Com o auxílio da esposa Valmira Elpidio Dantas, que trabalhou sem ônus para a prefeitura, providenciou livros de escrituração, instalou caixas escolares em todas as escolas, fundou associações. Sem ajuda de nenhum órgão, só com os recursos da prefeitura, Ioiô adquiriu um trator Caterpílar e um caminhão Chevrolet. Como não conseguiu a construção do hospital, apesar de vários ofícios enviados ao órgão próprio, resolveu Ioiô contratar Dr. Humberto e trazer definitivamente para Euclides os doutores Aristides e Rui Marques.

Dos primos carnais que ganharam o apelido de Ioiô o primeiro sem dúvida foi João Siqueira Santos, meu mestre e amigo, consagrado como Ioiô da Professora, numa justa homenagem à sua mãe Erotildes Siqueira, natural de Saubara, que veio de Salvador para dar aulas às meninas contemporâneas de D. Maroca, mãe de Nelson Bastos.

No início de 1904, preocupado com a educação primária de sua primogênita, que se aproximava dos 7 anos, o Capitão Dantas empenharia todos os esforços no sentido de trazer para Cumbe uma professora competente, diplomada numa boa escola da capital da Bahia. Para essa empreitada, obteve o apoio do então intendente de Cumbe, coronel Arsênio Dias Guimarães, que, embora bem relacionado com os políticos da situação, preferia permanecer no conforto de seu casarão do Caimbé, arrodeado de ex-escravos. Cap. Francisco da Silva Dantas fez tudo isso como um simples cidadão que desejava o melhor para a sua família e o povo da querida terra escolhida para viver.

 Após o casamento com D. Isabel do coronel Potamio, neta e bisneta dos homens mais poderosos de Massacará, da qual nasceu apenas uma filha, Ederlinda (EDI), pensava-se que Ioiô da Professora fosse reerguer o império dos Camelos, superar o patrimônio do avô Manoel Alexandre ou, pelo menos, desenvolver o seu rebanho de gado bovino, caprino e cavalar. No entanto, no tempo em que viveu na Ilha dos ancestrais do coronel José Américo nunca passou de pequeno fazendeiro. Ao voltar de Massacará para morar na avenida Rui Barbosa, o seu negócio não foi além de uma bodega composta de alguns produtos, especialmente a aguardente da cana. Durante meio século vendendo pinga, sem dela fazer uso, aturando bêbados de todos os tipos, Ioiô pode ter batido o recorde de embriagar os seus clientes com a maior brevidade. Os usuários da “branquinha” se fartavam com as suas doses cavalares. Ao final do dia, o pé do balcão achava-se encharcado e visguento de tantas cusparadas inevitáveis. À tarde, principalmente no dia de feira, depois da última talagada, voltavam para casa trocando as pernas, tentando segurar as compras que caiam. Tanto no interior do balcão como no da sua residência, Ioiô acolhia os amigos da roça, além de guardar-lhes a sacola, o cesto, o saco e outras bugigangas.


Fonte: Livro Cap.Dantas e os 3 Ioios

 


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Rua Joaquim Santana Lima, 1965


 Também era conhecida como Rua dos LIMA ou Rua de Cima

Seta amarela: Educandário Oliveira Brito depois de um ano inaugurado.

Seta vermelha: depósito de sisal que pertencia a João Felisberto dos Santos, hoje encontra-se o Auditório do EOB.

Seta azul: residência da família Dantas.

 Em 1976, um caminhão desgovernado bateu na parede da casa causando um grande estrago. Por muita sorte, naquele momento, não tinha ninguém no quarto.

Seta verde: residência de Joaquim Mathias 




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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

José Bezerra Neto (Zuza Bezerra)

 José Bezerra Neto (Zuza Bezerra)  nasceu em Queimadas-Bahia, 27 de agosto de 1919.

 Agropecuarista, instalou-se com sua família em Euclides da Cunha que considerava sua Cidade Mãe. Político euclidense, foi vereador  entre 1948 a 1958, quando candidatou-se pelo PSD a  prefeito do município de Euclides da Cunha eleito.  Já em 1962  foi candidato a Deputado Estadual por Euclides da Cunha sendo eleito deputado, coincidindo com a gestão do Governador  Lomanto Júnior de quem desfrutou de imenso prestígio, tendo, inclusive, obtido do governador, a instalação da primeira agencia do Banco do Estado da Bahia (que é o atual Bradesco). 












Na foto, ao centro, o deputado cortando a Fita Inaugural da agencia do banco ao lado do prefeito Antonio Batista de Carvalho e, na extrema direita, o goverandor Lomanto Júnior que veio prestigiar a inauguração a pedido do deputado em 1966.



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Colaboração: Hildebrando Maia 




segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Exército Brasileiro em Euclides da Cunha - Bahia













No ano 1966, o Comando da  6ª Região Militar teve em Euclides da Cunha para o Recrutamento Militar. Jovens a partir de 18 anos eram obrigados  a comparecer  na prefeitura (hoje Câmara de Vereadores) com os devidos documentos para o preenchimento do formulário.  Até hoje os recrutas são escolhidos por dois critérios principais. O primeiro é a combinação do físico e aspectos morais e o segundo é o da representação de todas as classes sociais e regiões do País.















O Comando ao chegar na cidade foi recebido pelas autoridades locais. Posaram para foto com a tropa, da esquerda para direita, Zé Marinho (pai de Ohniram da Tendinha Cultural), Walter Macedo, Professor Teófilo Paiva Guimarães e o prefeito Antônio Batista.






Foto em frente a Escola Duque de Caxias













Um dia antes do recrutamento, os militares desceram de vários caminhões do Exército Brasileiro para um desfile na cidade. Ao se organizarem na fila, ouvem-se os  comandos de voz natural em tom forte “ESQUERDA/DIREITA VOLVER” , “EM FRENTE” Deu-se  inicio a marcha iniciando na Rua Joaquim Santana Lima passando pela Ruy Barbosa e Rua Castro Alves, sentido a Prefeitura( hoje Câmara de Vereadores). Toda cidade admirada pelos passos fortes,  firmes com total simetria. Os aplausos pelas ruas foram intensos deixando toda tropa empolgada.

Deu-se inicio o processo de recrutamento .  “Eu me apresentei para tirar a Carteira de Reservista e, na época, eu falei ao Major que era o Comandante, se poderia servir ao Exército lá em Paulo Afonso, na parte administrativa. O Major respondeu que, infelizmente,  não poderia ser, mas me elogiou pela minha vontade de servir a Pátria e falou para os demais que se encontravam  presentes, sobre o meu patriotismo e me prometeu mandar o Certificado o mais breve possível.” Comentou Zé Dilson Moreira, conhecido como Zé Dilson da Cadeirinha.


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Colaboração: Hildebrando Maia, Ohniram Marinho, José Dilson Moreira


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Rua Joaquim Santana Lima - Calçamento - 1965

 

          Antes                                               Depois








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Em 1965 foi construído o calçamento da Rua Joaquim Santana Lima pelo então prefeito Antônio Batista de Carvalho. O nome da rua foi em homenagem a Joaquim Menino.

Joaquim  Santana Lima (Joaquim Menino) era inimigo político de Antônio Batista, mas, de surpresa, recebeu apoio total na sua campanha  vitoriosa   no qual gerou laços políticos e de amizade.

As setas amarelas indicam um muro que pertencia a casa de Totonho Lima. Dois anos depois, na gestão de Joaquim Silva Dantas (Ioiô Dantas), o muro foi derrubado pelo gestor em entender que era indispensável ao interesse público a abertura de uma rua que hoje faz ligação à rua Pedro Monteiro Campos, Bairro Caixa D`Água entre várias vias e Centro.  Houve uma indenização prévia e justa. 

A seta laranja indica a residência de Totonho Lima e Dona Clarinha. Também residiu Hugo Canário e Terezinha até a demolição devido a um  gigantesco buraco entre os alicerces do prédio que tornou-se famoso.  Hoje encontra-se uma linda Pracinha Ararinha Azul.



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Por Ney Campos

Foto: Antonio Batista de Carvalho

Contribuição: Solange Victor