terça-feira, 21 de maio de 2019

Juviniano Gomes dos Santos



Juviniano, como era conhecido, era natural de Canudos-BA, quando este ainda pertencia ao Município de Euclides da Cunha, na condição de Distrito.

Filho de Pedro Gomes dos Reis e Juvina Possidônia dos Santos, logo após concluir o curso primário (atual ensino fundamental), aprendeu o ofício de alfaiate e, nesta profissão, ficou por cinco anos, quando ingressou no serviço público, como funcionário da Secretaria da Fazenda, onde ficou por um ano.

Em sociedade com o amigo Genaro Rabelo, abriu uma farmácia em Canudos e, no ramo farmacêutico permaneceu até 2010, quando encerrou esta atividade à frente da Farmácia Estrela, na Rua Oliveira Brito, em Euclides da Cunha.

Na década de 1950 a 1960, mudou-se para Euclides da Cunha, onde foi morar com o político Antônio Baptista de Carvalho, um conterrâneo de prestígio junto à população euclidense.

Pararalelo à sua atividade comercial dedicou-se à agropecuária. Pessoa de fino trato, sua simpatia muito contribuiu para o sucesso na carreira política, ao ser eleito para o cargo de vereador, sempre com votação expressiva e por três mandatos, apesar de sua aparente sisudez.



Juviniano ganhou prestígio e cacife que os levaram ao cargo de prefeito municipal, cujo mandato foi marcado por obras de infraestrutura e serviços relevantes, como o Hospital Municipal Atônio Carlos Magalhães, com capacidade para 45 leitos, que melhorou consideravelmente o atendimento médico aos euclide
nses e, também, de pessoas de outros municípios que não disponibilizavam desse tipo de serviço essencial. Ainda na área da saúde pública, construiu oito minipostos de saúde no interior do município e um posto médico na sede.

Na Educação, ampliou a rede escolar de 70 para 250 salas de aula, fez melhoramentos no Educandário Oliveira Brito (construiu salas de aula e uma quadra para práticas esportivas); além de vários prédios escolares no município.

Para melhorar os serviços educacionais, instalou e deu apoio aos programas desta área que existiam naquele período: HAPROL, LOGOS, LBA, voltados para a qualificação dos professores e melhoria do ensino público, de combate ao analfabetismo, entre outros.

Para melhorar o saneamento básico da população construiu o Matadouro Municipal, ampliou o serviço de abastecimento d’água nos distritos de Caimbé, Aribicé e no então distrito de Massacará; além da construção de uma barragem no distrito de Ruylândia e provimento de água para a localidade de Mutambinha, beneficiada com a perfuração de um poço artesiano. Serviços executados com recursos provenientes do PIS.

Em seu governo trouxe para Euclides da Cunha, órgãos importantes do Governo do Estado, como: EMARTERBA (atual EBDA), INTERBA, Projeto Sertanejo (combate à seca executado pelo DNOCS), TELEBAHIA (atual OI), 14ª CIRETRAN, LBA. Este teve as suas atividades ampliadas para atender ao Projeto Casulo, voltado para o menor carente e, ao Projeto Conviver, de amparo aos idosos. Caixa Econômica Federal e Banco Mercantil de São Paulo foram trazidos para Euclides da Cunha, em sua gestão. Construiu o Fórum Des. Artur César Costa Pinto, onde atualmente está instalado o Juizado de Pequenas Causas.

Inauguração do Hospital ACM



Preocupado com as famílias pobres e sem teto, Juviniano por meio de convênio com o Governo do Estado (URBIS), implantou um conjunto habitacional com 360 moradias, batizado com o nome de Nossa Senhora da Conceição (também conhecido como Casas Populares), além de adquirir uma área para construção de mais 360 casas.

ACM: recepção no Campo de Aviação

Urbanizou a Praça Roberto Santos, abriu ruas e pavimentou várias delas. Junto ao Governo do Estado conseguiu a estrada que liga o atual aldeamento de Massacará à Cidade de Cícero Dantas, rodovia BA 220, que está sendo pavimentada com asfalto pelo governo estadual, com recursos do Governo Federal.

Em seu governo, Juviniano não se esqueceu do lugar onde nasceu, pois trabalhou fortemente na agilização do Projeto de Emancipação Política do Distrito de Canudos, fato que se concretizou em 1985, com a eleição para prefeito do médico Manoel Adriano Filho, com o seu apoio.

Juviniano também entrou para o folclore político de Euclides da Cunha, com várias histórias sobre suas andanças pelo município, especialmente nos períodos de eleições. A maioria voltada para sua habilidade política e a forma simplista como lidava com as pessoas, principalmente aquelas que eram consideradas “adversárias” e quase sempre terminava com a conversão das mesmas para o seu partido político.

Aos 78 anos de idade, já aposentado de sua atividade comercial, porém, à frente de seus negócios voltados para a agropecuária, Juviniano foi diagnosticado como portador do mal de Alzheimer, (doença degenerativa que afeta o sistema neurológico, principalmente), que culminou com a sua morte, no último dia 04 de junho, às 17h30, em sua residência, onde sempre teve o carinho e o zelo de sua esposa Dulce Santos e seus filhos Marília, Murilo, Márcio e Marcelo, além de os muitos amigos e amigas que o visitavam, sempre.

Esse grande líder político, que teve o seu nome emprestado ao Centro Educacional do povoado de Pinhões, foi sepultado no Cemitério Municipal de São José, num cortejo fúnebre marcado pelas presenças de centenas de amigos e amigas, lideranças políticas de Euclides da Cunha, Canudos, Tucano, Monte Santo, Quijingue, Salvador, entre outros.


Por tudo que fez em Euclides da Cunha, Juviniano já é parte importante da nossa história contemporânea e merecedor de todas as homenagens póstumas que lhes forem prestadas. Era e sempre será uma alma boa. Perdeu a política um grande quadro.”

Colaboração/texto: Marina Remígio 



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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

FRAGMENTOS


Revista Vida Brasil
www.revistavidabrasil.com.br


Por Celso Mathias

 E, no Café Society, enquanto mastigava caramelos de café com leite, assistia a meu pai ingerir sua dosinha de Jurubeba para forrar o estômago antes da Brahma gelada. Olhava para o outro lado da Avenida e enxergava o espetacular Hotel Lua, para mim, um dos lugares mais importantes da cidade, pois, lá, eu sentia a conexão com o mundo, através dos seus ilustres hóspedes: os viajantes. Lá, também morava Zeca Dantas que, vez por outra, atravessava a avenida e vinha até o Café Society...

 Mordi aquele pãozinho dourado, crocante, e viajei de mala e cuia para Euclides da Cunha. Fui parar em um ensolarado fim de tarde sentado ao batente de “O Crediário”, para quem não sabe a primeira loja de eletro-domésticos da cidade. E olha que, naquele tempo, sequer existia essa expressão. “O Crediário” vendia de tudo. Fogão, Geladeira, rádio Zilomag, porta de aço, bateria Heliar e até tratuá que nada mais era do que o piso externo de origem francesa, corruptela de “trottoir”, palavra que, hoje define uma atividade não tão nobre.


Do outro lado da “imensa avenida”, era assim que eu a enxergava até ali pelos meus 10 anos, estava a padaria de João Costa, o produtor daquela delícia que, até hoje, frequenta a minha memória gustativa. João Costa, além de padeiro, era também, delegado de polícia. Um homem alegre, inteligente e de uma impressionante velocidade de raciocínio. Naquela época, era assim! Os mais importantes cidadãos eram os comerciantes. Era também padeiro, o RaimundoThomaz, ainda vivo e saudável, aos quase 90 anos e à frente dos seus negócios que dizem ser grandes.

 O dono de “O Crediário” era meu pai, Jaime Amorim, que todos os dias, ao final da tarde, ordenava ao Dedé de Tutu ou ao Chico da Judite “Chico, vai ali ao João Costa e traz seis amanteigados”. Eles eram ajudantes do meu pai. O amanteigado era o pão quentinho feito pelo João Costa e untado com uma generosa quantidade de manteiga “Radiante” que era aplicada ao pão com uma espátula de madeira. O Dedé, hoje, deve ser um homem com cerca de 60 anos e vive em São Paulo. O Chico foi brutalmente assassinado em um dos becos da cidade, com menos de 20 anos de idade. Era um sujeito espirituoso -e um piadista nato. Sua morte causou imensa consternação.

 O sol escaldante desaparecia no fim da tarde e, a noite começava no Café Society ou Bar de Zezito como preferiam outros. O Café Society ficava na esquina da “Grande Avenida”, a Oliveira Brito, com a Praça Duque de Caxias, então apelidada de “Praça do Pau de Oliveira Brito”. Quem conhece a história da cidade sabe o porquê do apelido. Quem não conhece não pergunte porque não vou explicar, mas posso garantir que não tem nada de imoral.



 Foi o Zezito do Belo, ou Zezito do Bar ou Zezito do Alto-falante quem deu esse apelido à praça. Ele foi um homem à frente do seu tempo. Fundou o primeiro cinema da cidade, o primeiro serviço de alto-falantes, foi proprietário de um dos primeiros automóveis e, ainda por cima, em pleno sertão baiano, onde há pouco tempo Lampião passara semeando brutalidade e terror, inaugura um bar cujo nome é Café Society, expressão em voga no jet set mundial.


 E, no Café Society, enquanto mastigava caramelos de café com leite, assistia a meu pai ingerir sua dosinha de Jurubeba para forrar o estômago antes da Brahma gelada. Olhava para o outro lado da Avenida e enxergava o espetacular Hotel Lua, para mim, um dos lugares mais importantes da cidade, pois, lá, eu sentia a conexão com o mundo, através dos seus ilustres hóspedes: os viajantes. Lá, também morava Zeca Dantas que, vez por outra, atravessava a avenida e vinha até o Café Society beber cerveja, abrir o sorriso largo e a gargalhada estridente brindando com o não menos ilustre, o sobrinho Nelson Bastos. Zeca Dantas se foi aos quase 100 anos. Também longevo, Nelson, aos 93, ainda passeia espigado pelas manhãs euclidenses.


 Mas não era só o Hotel Lua que fazia a minha conexão com o mundo. Zezito, também! Com seu automóvel, seu serviço de alto-falantes e seu
“Night Club”. Isso mesmo, além do Café Society, ele era dono de um legítimo Night Club em Euclides da Cunha nos anos 60,carinhosamente chamado de “Naiti”. Para completar, fundou o cinema que, em seguida, venderia para Jonas Abreu.






 Jonas Abreu viveu e morreu para o cinema, para a família e para os amigos, não necessariamente nessa ordem. Foi no cinema dele, que assisti a um clássico do cinema mundial, ,Hiroshima Mon Amour, do cineasta Francês Alain Resnais. Era na casa dele que todos íamos, às tardes de domingo, ouvir, na moderníssima radiola Zilomag, o som de Miguel Aceves Mejia, Bienvenido Granda e os sucessos do momento com a turma da Jovem Guarda




 Certo dia, meu amigo Herder Mendonça convidou-me para, na sua casa de espetáculos, o saudoso Rock In Rio-Salvador, assistir a um show de Wanderléa
, a musa da Jovem Guarda. Aos 60 anos, exuberante e superprofissional, ela adentrou ao palco para se apresentar a uma platéia de uma centena de pessoas. Por um erro estratégico qualquer, a menor em toda a história da casa. Mesmo assim, cantou como se estivesse se apresentando num estádio lotado. No meio do show , deslocou-se do palco, veio até aonde eu estava, tomou-me as mãos e cantamos juntos “Uma vez você falou, que era meu o teu amor...” (trecho da canção Ternura, de Roberto e Erasmo Carlos). Digo cantamos, mas não foi bem isso. Ela cantava e eu chorava lágrimas dedicadas àquelas tardes de domingo que Jonas nos proporcionava.


Autor: Celso Mathias

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Passagem de Lampião em Euclides da Cunha-BA (Cumbe) em versos


LAMPIÃO NO CUMBE DO MAJOR ANTONINO
(15 DE DEZEMBRO DE 1928)

Por Dionísio Nóbrega


Com mais  de 3 meses na Bahia
 Lampião parou na fazenda Araçá
Precisava  de um guia de confiança
Para sobre  Cumbe se informar

Nesta fazenda de Dedé de Abreu
Lampião chegou no alvorecer  do dia
Para conseguir um bom informante
E que o acompanhasse como guia

Acervo Fundaj MEC
No Cumbe a Rua Major Antonino
Já foi chamada de Estrada do Araçá
Pelo povo e os que vinham do norte
Para passear, vender e comprar.
 
Ao pisar na Praça da Feira
Armado e bem informado
Foi logo pra Rua da Igreja
Onde morava o Delegado

O delegado dessa época
De nome Luiz Caldeirão
Foi  muito bem tratado
Pelo já famoso Lampião

Chegar num dia de feira
Para Lampião foi um achado
Ele e os demais cangaceiros
Conseguiram um bom catado

E como era dia  de festa
Muita gente o viu chegar
Uns ficaram sem entender
O lampião neste lugar

Muita gente se assustou
Na velha Praça do Barracão
Alguns chegaram a correr
Quando viram o Lampião




Os mais velhos se lembraram
Do chefe da 3ª expedição
Mas depois se tranquilizaram
Com a visita de Lampião


Qual seria o mais malvado?
Moreira Cesar ou Lampião?
Nem no Cumbe nem no Araçá
Não foram eles violentos não
Lampião não quis saber do “ Lua”
Intendente de Cumbe  na ocasião
Preferiu o Delegado de Polícia
Para  recebê-lo como anfitrião

Em Cumbe, Lampião não perde tempo
Primeiro o dinheiro, depois a diversão
Tanto que em menos de meia hora
Começa o trabalho de arrecadação

Lampião, o “Rei do Cangaço”
Não quis saber de briga não
Houve festas, músicas e paz
Graças ao delegado Caldeirão

Na histórica casa de Seo Dantas
Perto de Nossa Srª  da Conceição
Por cerca de três anos já residia
O amigo e genro Luis Caldeirão





Seo Dantas correu às pressas
Para ver a sua filha querida. 
Mas todos estavam tranquilos
Sem nenhum perigo de vida!
Dona Neném, filha de Seu Dantas,
Esposa do delegado Caldeirão,
Tranquilizou amigos e parentes
Como anfitriã do homem Lampião


Os jagunços de Antônio Conselheiro
Muita coisa desta casa quebraram
Porém trinta e um anos depois
Nela os cangaceiros se hospedaram



Ninguém ousaria enfrentar
Lampião em quebra-de-braço
Mas houve muita compreensão
Do grande chefe do cangaço


Muitos euclidenses sofreram
Com os bilhetes de Lampião
Escritos de uma maneira geral
Com muito respeito e educação

Dizem que o que dá pra rir
Também dá para chorar
Mas se algo não acontece
Não se tem o que cantar

O primeiro a receber bilhete
Foi o coronel Dedé de Abreu
Que apavorado prejulgou
Perder tudo o que era seu

Manuel Araçá, seu fiel vaqueiro,
Apareceu como que de repente
Sem saber como se justificar,
 Com uma cara triste de inocente



Por ser o primeiro escolhido
O velho Dedé não gostou não:
“Antes não tivesse aparecido
Esse famoso cangaceiro Lampião”

Ao receber a desgraça do bilhete,
Exigindo dele uma boa quantia,
Perguntou ao seu fiel vaqueiro:
“Você foi trazido como guia?!”

Tirar dinheiro do velho Dedé
Nunca foi muito fácil não!
Só mesmo o rei do cangaço
Virgulino Ferreira Lampião

Coronel Dedé de Abreu
Morava na Rua de Cima
Com Maria de Joaninha
Pertinho de outros Lima

Muito difícil para alguém
Arrancar algo do que era seu
Mas o bilhete de Lampião
Estremeceu Dedé de Abreu

Após o bota-fora de Zé Antônio
Padre Berenguer o substituía
Porém só de vez em quando
É que este Vigário aparecia

Não era tão fácil chegar a Cumbe
Pelos caminhos  cheios de atalhos
Mesmo assim  o padre Berenguer
Andou quebrando muitos galhos

O intendente Joaquim  “Menino”
Preocupava-se com os intervalos
Do vigário amigo F.  Berenguer
Que vinha em lombo de cavalos

O padre e o político se uniram
Fazendo  acordo para construir
Uma estrada para automóveis
Que pudessem viajar (vir e sair)



15 de dezembro de 28, Berenguer
Chega num “Ford” que ele dirigia
Para louvar a padroeira de Cumbe
Uma semana depois do seu “Dia”

Para o Pe. Berenguer não foi bom
A chegada imprevista de Lampião
Imagine se na igreja haverá clima
Para se obter  boa concentração

O Lampião mandou um bilhete,
Como um “hóspede da cidade”,
Para o José Batista de Macedo
Que mandou somente a metade

Manoel do Araçá foi buscar
Na casa de Joaquim Matias
Dois contos para Lampião
Mas voltou de mãos vazias

Respondeu Joaquim Matias
Não vou mandar dinheiro não
Faço questão: eu mesmo levo
Eu quero conhecer o Lampião

Autorizado talvez por sua mãe
Edmundo tocou pra Lampião
Na casa histórica da Rua da Igreja
Talvez logo depois da refeição

Lampião pediu a Edmundo
Que tocasse uma bela canção
Que fosse muito conhecida
Do povo desse grande sertão

Edmundo, com apenas sete anos,
Neste inesquecível dia de feira,
Pegou a gaita e tocou muito bem
A linda canção “Mulher Rendeira”

Lampião ainda não tinha visto
Coisa mais linda neste mundo
Emocionado botou no colo
O ainda pequenino Edmundo

Neste 15 de dezembro de 28
No Cumbe do  Major Antonino
Os cangaceiros se emocionaram
Com o grande talento do menino

Onde está Ioiô da Professora
Para ler jornais pra Lampião
Noticiando os “grandes” feitos
Que muito abalaram o sertão?


Chamar Ioiô da Professora
Que coleciona e gosta de ler
Deixará Lampião emocionado
Porque de tudo ele vai saber.

Ioiô da Professora ficou feliz
Por ter conhecido  Lampião
Guardou-lhe vários jornais
Lidos em raríssima ocasião

Perfumes da marca “Cigália”
O chefão não deixou de comprar
A João Macedo e a Rogaciano
Para logo logo depois  usar

Para fazer lenço comprou tecido
E outras coisas mais de uma lista
Dizem que um dos vendedores foi
O ainda jovem Benjamin Batista

Na bodega do jovem “Zé” Dantas
Houve cachaçada dos cangaceiros
Todo o bando começou a beber
O Lampião foi um dos primeiros

Zé Dantas abriu um “Macieira”
E sorrindo ofereceu pra Lampião
Os dois, intercruzando os braços,
Beberam com muita satisfação



Os cabras ficaram satisfeitos
Talvez mais ainda com a refeição
Bem preparada por Dona Neném
Esposa do delegado Caldeirão

Na farra dos cangaceiros houve
Muita música cantada e tocada
O garoto Edmundo brilhou tanto
Que parecia até um conto de fada.




O povo se uniu pra ver a festa
Já que perdera todo o medo
Viu Lampião comprar perfume
A Rogaciano e a João Macedo.

Graças à colaboração das pessoas
Neste dia ninguém entrou pelo cano
Mas de tardinha eles caíram fora
Em procura da cidade de Tucano

Lampião convocou o chofer Zé Rico,
Que se dizia alagoano, e não baiano,
Para levar apenas quatro cangaceiros
Para a vizinha cidade de Tucano

Berenguer também foi chamado
Para levar os outros até Tucano
Mas ao inventar  “quebrar” o carro
Por pouco não entrou pelo cano

A notícia do carro “quebrado”
Deixou os cabras sem ação
Uns se encheram de dúvidas
Talvez mais ainda o Lampião

Depois ficaram sabendo
Que o padre os enrolou
A partir desse momento
A paz do vigário se acabou

Tucano  muito rico de água
E estradas de muito barro
Aí Zé Rico não conseguiu
Evitar o atoleiro do carro

Estava muito tarde em Masseté
Deixou-se tudo para o outro dia
Desatolar o carro de José Rico
Era o que Lampião mais queria

Depois de tanta luta para viajar,
Um verdadeiro sacrifício humano,
Finalmente o motorista  José Rico
Conseguiu ver a cidade de Tucano

Em Tucano, Demóstenes o entrevista
Para ambos uma verdadeira glória
Graças aos esforços deste jornalista
Escreveu-se um capítulo da história.