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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Recrutamento Militar em Euclides da Cunha – 1966

Em 1966, o Comando da 6ª Região Militar esteve em Euclides da Cunha para conduzir o processo de Recrutamento Militar. Na ocasião, jovens a partir dos 18 anos eram obrigados a comparecer à sede da Prefeitura Municipal — onde hoje funciona a Câmara de Vereadores — munidos dos documentos exigidos para o preenchimento do formulário de alistamento.

Até os dias atuais, os critérios para a seleção dos recrutas seguem duas diretrizes principais: a avaliação do porte físico e dos aspectos morais dos candidatos, além da busca por representatividade entre diferentes classes sociais e regiões do país.

A chegada do Comando à cidade foi marcada por uma recepção solene das autoridades locais. Em registro fotográfico da época, aparecem lado a lado com a tropa os senhores Zé Marinho (pai de Ohniram, da Tendinha Cultural), Walter Macedo, o professor Teófilo Paiva Guimarães e o então prefeito Antônio Batista.


Na véspera do recrutamento, militares do Exército Brasileiro desembarcaram em caminhões e realizaram um desfile cívico pelas ruas da cidade. Ao se posicionarem em formação, os comandos de voz forte ecoaram: “ESQUERDA/DIREITA VOLVER!”, “EM FRENTE!”. A marcha teve início na Rua Joaquim Santana Lima, passando pelas ruas Ruy Barbosa e Castro Alves, com destino à Prefeitura. A população acompanhava admirada a precisão e simetria dos passos firmes da tropa. A cidade aplaudia com entusiasmo, contagiando os militares com o calor da recepção.





O processo de recrutamento teve início no dia seguinte. Entre os jovens presentes, estava Zé Dilson Moreira, conhecido como Zé Dilson da Cadeirinha, que relembra com orgulho:

“Me apresentei para tirar a Carteira de Reservista e, na época, falei ao Major — que era o comandante — se poderia servir ao Exército em Paulo Afonso, na parte administrativa. O Major respondeu que, infelizmente, não seria possível, mas me elogiou pela vontade de servir à Pátria. Disse aos demais presentes sobre meu patriotismo e prometeu enviar meu certificado o mais breve possível.”


Colaboração: Hildebrando Maia, Ohniram Marinho, José Dilson Moreira


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Rua Joaquim Santana Lima - Calçamento - 1965

 

          Antes                                               Depois








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Em 1965 foi construído o calçamento da Rua Joaquim Santana Lima pelo então prefeito Antônio Batista de Carvalho. O nome da rua foi em homenagem a Joaquim Menino.

Joaquim  Santana Lima (Joaquim Menino) era inimigo político de Antônio Batista, mas, de surpresa, recebeu apoio total na sua campanha  vitoriosa   no qual gerou laços políticos e de amizade.

As setas amarelas indicam um muro que pertencia a casa de Totonho Lima. Dois anos depois, na gestão de Joaquim Silva Dantas (Ioiô Dantas), o muro foi derrubado pelo gestor em entender que era indispensável ao interesse público a abertura de uma rua que hoje faz ligação à rua Pedro Monteiro Campos, Bairro Caixa D`Água entre várias vias e Centro.  Houve uma indenização prévia e justa. 

A seta laranja indica a residência de Totonho Lima e Dona Clarinha. Também residiu Hugo Canário e Terezinha até a demolição devido a um  gigantesco buraco entre os alicerces do prédio que tornou-se famoso.  Hoje encontra-se uma linda Pracinha Ararinha Azul.



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Por Ney Campos

Foto: Antonio Batista de Carvalho

Contribuição: Solange Victor




quinta-feira, 19 de novembro de 2020

José Lauricio da Nóbrega - Morenito

 O maior cordelista de Euclides da Cunha





quarta-feira, 17 de junho de 2020

Le Galope: o sabor e a música de uma época inesquecível




A seta amarela indica o terreno onde foi construída
A seta vermelha a Avenida Almerindo Rehem

A história da Le Galope começou com uma padaria no térreo, que logo se transformou em padaria-bar e lanchonete. Depois, veio a grande novidade: uma pizzaria no primeiro andar. Um ambiente de requinte e bom gosto, que se tornou um dos principais pontos de encontro e entretenimento de Euclides da Cunha nas décadas de 1980 e 1990.


Foi em setembro de 1982 que tudo começou, com Hilton Celestino, mais conhecido como Durão, à frente do negócio. Pouco tempo depois, a gestão passou para seu irmão, Milton Celestino, o famoso Fanta. A pizzaria do primeiro andar se destacava não só pelo cardápio, mas também pela qualidade das pizzas, preparadas por pizzaiolos experientes que vieram de fora para ensinar os novos talentos da cidade.


Logo após a inauguração, a Le Galope passou a oferecer música ao vivo nos fins de semana, em clima intimista, com voz e violão. Nomes como Iomar Canário e Chico D’Oliveira encantavam o público no andar de cima. Iomar relembra com carinho:

“Muitas vezes eu chegava à noite, cansado de viagem a serviço do Interba, e logo, sem nada combinado, Durão batia na minha porta me chamando pra mais uma cantoria. Pegava meu violão e rapidinho já tava lá.”

Enquanto a boa música preenchia o ambiente, os frequentadores saboreavam a bebida da moda: Brahma Chopp. Mas havia também os clássicos das bebidas “quentes”: Bacardi com Coca, Vodka com refrigerante de laranja, Dreher com Martini, Campari, o sofisticado Old Eight e o popular Natu Nobilis.

Na década de 1990, a casa passou a receber convidados especiais como Zé de Zezito e seu irmão, Ney Campos, além de Kleyton Nunes com repertório de Geraldo Azevedo, Xangai, Alceu Valença e tantos outros nomes marcantes da MPB e do forró. Teve até som ao vivo na rua, com o Projeto Verão, realizado em frente ao prédio. O projeto cresceu e se espalhou por vários bares da cidade e região, com o patrocínio da cervejaria Antárctica, numa tentativa ousada de bater de frente com a queridinha da época: a Brahma Chopp.

Com o tempo, a Le Galope se expandiu. Foi aberta uma nova área na lateral do prédio, na Rua Benjamin Constant, ampliando o espaço e trazendo mais opções para o público. Começou-se, então, a cobrar ingressos ou taxa de consumação para apresentações de bandas locais como Banda Brilhante, J. Som 6, Antônio Rocha, Chico D’Oliveira, Zeca dos Teclados, Grupo Realce, Peles de Gato, além de grupos de forró que animavam as noites. Em muitos momentos, os dois ambientes funcionavam simultaneamente, com som ao vivo embaixo e som ambiente no andar superior.

Os primeiros funcionários deixaram sua marca na história da casa: seu Miguel (pai de Nel Saad), Bigode e Nel, que ficou conhecido como Nel da Le Galope.

Hoje, em 2020, sob nova direção, a Le Galope se transformou. O térreo abriga pontos comerciais, enquanto o espaço superior segue sendo aproveitado. Mas, na memória afetiva de muitos euclidenses, a Le Galope continua viva. Afinal, inúmeros casais de hoje se conheceram ali, entre uma pizza, uma canção e um gole de Brahma Chopp






Kleyton Nunes, Zé de Zezito e Ney Campos
Projeto Verão - Cerveja Antárctica











Por Ney Campos





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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Euclides da Cunha terra de ilustres


Por Celso Mathias  -  02 de novembro / 2019


Finados, um dia para reflexões, viajei no tempo trazendo à memória, pessoas e fatos que me acompanharão eternamente. Mãe, pai, o querido irmão Humberto, que partiu aos 23 anos e meu tio, quase um pai, José Mathias de Almeida Neto, meu referencial, meu amigo meu ídolo, ao ponto de ter, aos 14 anos, fugido de casa e de carona em caminhões, desembarcando em Vitória para encontrar o “Zequinha”- era assim que eu o chamava- àquela altura, já promotor de Justiça em uma comarca do interior do Espírito Santo.



 Euclides da Cunha terra de ilustres A aventura durou pouco. Uma semana depois, meu pai apareceu e me trouxe de volta a Euclides da Cunha. Dez anos depois, desembarquei novamente em Vitória, onde vivi os 25 anos mais importantes da minha vida e acompanhei a trajetória brilhante do tio Zequinha, que morreu aos 64 anos como desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, despachando no mesmo edifício que hoje ostenta o nome dele: Fórum Criminal Desembargador José e Mathias de Almeida Neto.


 E o Zequinha, até a morte de minha mãe, em 1971, vinha frequentemente a Euclides da Cunha, trazendo uma mala de presentes para amigos e familiares, além de dezenas de caixas de Chocolates Garoto, uma marca do Espírito Santo. E cultivava muitas amizades fora círculo familiar. Apotâmio Batista, Zeca Dantas, Zé Aras e Nelson Bastos entre tantos outros.


Com Nelson Bastos, trocava presentes, em todas as visitas. Nelson lhe dava sempre uma garrafa de boa cachaça e Zequinha, um presente da capital do Espírito Santo.

 Para quem não conhece, Euclides da Cunha é uma cidade de 60 mil habitantes, segundo estimativa de 2019, localizada no semiárido baiano, a 311km de Salvador e é berço de ilustres personalidades que ocuparam e ocupam importantes espaços na vida nacional e, infelizmente, hoje estão esquecidos ou sequer, chegaram a ser conhecido pelos habitantes locais.


 Atualmente desembargador aposentado, Aloísio Batista chegou a presidente do TJ da Bahia e interinamente, por vacância dos titulares, a governador do Estado. No passado, Ramonaval Augusto Costa, nascido no então Cumbe do Major, veio a ser um dos mais brilhantes economistas do País e catedrático da USP. Durval Ferreira de Abreu que, por muitos anos, serviu no alto comissariado da OEA em Washington. Na mesma linhagem, o hoje fazendeiro na Chapada Diamantina, Elieze Bispo dos Santos, também é homem de brilhante carreira jurídica, tendo atuado, inclusive como desembargador do TRE baiano.














Ainda na ativa, podemos falar no advogado e ex-deputado Roque Aras, que embora não tenha nascido na cidade, tem fortes relações com a região, por conta do seu pai, José Aras, que viveu por muitos anos na cidade, foi o inspirador do nome Euclides da Cunha e autor da letra do hino oficial do município. José Aras, é avô do PGR Antônio Augusto Brandão de Aras.




 Sebastião Alves Ferreira dos Santos dos Santos foi o mais brilhante cidadão euclidense de sua era! - Ele nasceu na Rua da Igreja ao lado da casa de Antônio André. Filho do comerciante Nezinho de Hermógenes e da costureira Edite Alves, Sebastião teve uma carreira meteórica. Concluiu o curso ginasial no Educandário Oliveira Brito, o curso de Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas, onde depois assumiu uma cadeira como professor titular, e fez o doutorado em finanças na Universidade do Texas. Morreu precocemente aos 44 anos de idade, ainda como diretor financeiro da Eletropaulo.



No centro da foto recente, Celso Mathias de Almeida, geriatra que aos 92 anos, ainda atende no seu consultório em Natal- RGN, onde foi professor da Universidade Federal e paraninfo de várias turmas de formandos em Medicina.


Já o médico José Silva Dantas Filho, o Dantinhas, ao Lado do Irmão, Luiz Carlos Nascimento Dantas, formou-se em Medicina pela Universidade Federal da Bahia e ambos se radicaram em São Paulo. Dantinhas em Itapetininga e Luiz na capital paulista. Dantinhas faleceu em Euclides da Cunha durante uma viagem que costumeiramente fazia à sua terra natal e hoje dá nome a um importante hospital de Itapetininga, merecido reconhecimento pelo brilhante profissional de saúde e cidadão que foi. Luiz, em plena atividade, é reconhecido anestesiologista disputado pelos mais importantes cirurgiões dos melhores hospitais de São Paulo, entre eles, o Sírio Libanês. E mais que isso, é reconhecido como cidadão extremamente prestativo especialmente com euclidenses que bateram â sua porta em busca de orientação médica.

















 E vocês lembram do Nelson Bastos, o amigo do Des. José Mathias de Almeida Neto citado no início dessa narrativa? Nelson é avô do jovem juiz de direito Fábio Alexsandro da Costa Bastos, atual assessor especial da 2ª vice-presidência do Tribunal de Justiça da Bahia. Fábio também é neto, pelo lado materno, do saudoso líder político e comerciante, Custódio Sabino da Costa, contemporâneo e amigo irmão de José Aras.


 Fábio já está incluso nessa lista de euclidenses ilustres, por conta de um currículo exemplar: colou grau em Direito pela UFBA em fevereiro de 1997 aos 24 anos de idade. No mesmo mês recebeu a carteira da OAB e, enquanto exercia a advocacia, debruçou-se sobre os livros. Na Escola de Magistrados da Bahia (EMAB) fez inicialmente o Curso de Preparação para a Carreira Jurídica seguido de vários outros que lhe permitiram ser aprovado com louvor no concurso que o fez Juiz de Direito em 16/04/1999, menos de dois após a colação de grau e aos 27 anos de idade. Juiz da 19ª Vara Cível de Salvador. Foi também, por dois biênios, desembargador do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia e o corregedor Regional Eleitoral da corte. É casado com a juíza Bárbara Correia de Araújo Bastos e, pelo respeito e trânsito que goza nos meios jurídicos da Bahia, é uma figura da qual os euclidenses e até os baianos podem esperar muito!

 Revista Vida Brasil


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